cantadas criativas
POR LU CANDIDO
estava esperando para atravessar a rua. fones de ouvido, Led Zeppelin no último, de modo que me assustei quando senti alguém me cutucando. olhei para o guri de vinte e poucos anos que fazia menção de querer falar comigo. retirei os fones e fiz cara de “pois não”.
– você pode me dar uma informação?
– claro.
– qual o seu telefone?
respondi, é claro, pois não sou mal educada:
– Lenovo.
o sinal abriu. eu atravessei. ele ficou rindo.
confesso, achei criativa e engraçada. talvez eu use um dia.
errmãs
VIA MENSAGEM INBOX
tarde de verão, cidade praiana, as duas gêmeas passeiam pelas ruas e decidem entrar numa loja de biquínis, daquelas típicas lojinhas de litoral que vendem todo tipo de badulaques. eis que lá num canto, tinha uma sessão sex shop.
irmã 1: vamos ali dar uma olhadinha.
irmã 2: quero ver meu biquíni, não tem nada ali.
irmã 1: rapidinho!
irmã 2: tá bom...
as duas bisbilhotaram uma coisa aqui, zoaram outra ali, até que veio a vendedora.
vendedora: oi, meninas! precisam de ajuda?
irmã 2: obrigada, estamos só dando uma olhadinha.
vendedora: chegou esta linha nova aqui de óleos. não querem levar para experimentar?
irmã 2: obrigada, estamos só olhando mesmo.
vendedora: vocês são casadas?
irmã 1: não, somos irmãs.
a vendedora tentou reformular a pergunta, mas, antes de terminar “vocês têm maridos?”, não segurou o riso e dirigiu-se à irmã 2.
vendedora: qual tamanho de biquíni você usa?
da cor do fogo
POR A RUIVA (MENSAGEM INBOX)
primeiro dia de faculdade. estou sentada sozinha. ele entra na sala. é alto, forte, bonito. sorri para mim e vem na minha direção. senta na carteira à minha frente, vira para trás puxando assunto. depois de alguns minutos de uma animada conversa, ele se aproxima, enrola meu cabelo no dedo dele e diz sussurrando:
– adorei a cor do teu cabelo... qual a numeração da tinta? tô pensando em mudar o visu!
quer jujubas?
POR LU CANDIDO
sou boa em transformar vidros vazios e embalagens em objetos de decoração. andava pela casa com uns vidrinhos de geleia cheios de jujubas coloridas pensando num lugar para eles.
– por que não põe ali?, sugeriu minha irmã que estava me visitando, apontando um nicho na cozinha.
– ali ninguém vai ver.
– ninguém vem aqui mesmo!
bem... este fim de semana teve jujubas no lugar da pipoca.
o destino é um demônio
POR MICHELE ROCHA
michele estava andando pelo centro de porto alegre distraída, pensando em seus projetos, planejando mentalmente os próximos passos, quando foi arrancada abruptamente dos seus pensamentos por uma cigana:
– moça! deixa eu ler a tua mão, o destin...
sem mexer o corpo, virou o pescoço e lançou um olhar de morte. a mulher olhou para a outra cigana apavorada:
– não é uma moça! é o demônio...
flerte errado
POR LU CANDIDO
estava tomando um café na minha padaria preferida. pelo vidro, vi um cara atravessando a rua em direção à porta. ele era bonito, e fiquei olhando meio despretensiosamente. só que ele olhou também, e rolou um contato visual. ele entrou. eu o segui com os olhos para ver onde ia sentar. ele foi até a parede, fez uma selfie no letreiro e foi embora. fim.
na clínica
POR LU CANDIDO
eu para a recepcionista da clínica psiquiátrica, depois da consulta, a sala de espera lotada:
– preciso pegar a carteirinha e marcar a próxima consulta.
– ué, mas eu devolvi a carteirinha...
– foi? vou só dar uma olhadinha na bolsa, tá?
– ok!
– (sorrindo sem graça) desculpe, está aqui. estou louca.
– tudo bem.
(cinco segundos eternos de silêncio constrangedor)
e todos rimos muito.
FIM
POR LU CANDIDO
estava esperando para atravessar a rua. fones de ouvido, Led Zeppelin no último, de modo que me assustei quando senti alguém me cutucando. olhei para o guri de vinte e poucos anos que fazia menção de querer falar comigo. retirei os fones e fiz cara de “pois não”.
– você pode me dar uma informação?
– claro.
– qual o seu telefone?
respondi, é claro, pois não sou mal educada:
– Lenovo.
o sinal abriu. eu atravessei. ele ficou rindo.
confesso, achei criativa e engraçada. talvez eu use um dia.
VIA MENSAGEM INBOX
tarde de verão, cidade praiana, as duas gêmeas passeiam pelas ruas e decidem entrar numa loja de biquínis, daquelas típicas lojinhas de litoral que vendem todo tipo de badulaques. eis que lá num canto, tinha uma sessão sex shop.
irmã 1: vamos ali dar uma olhadinha.
irmã 2: quero ver meu biquíni, não tem nada ali.
irmã 1: rapidinho!
irmã 2: tá bom...
as duas bisbilhotaram uma coisa aqui, zoaram outra ali, até que veio a vendedora.
vendedora: oi, meninas! precisam de ajuda?
irmã 2: obrigada, estamos só dando uma olhadinha.
vendedora: chegou esta linha nova aqui de óleos. não querem levar para experimentar?
irmã 2: obrigada, estamos só olhando mesmo.
vendedora: vocês são casadas?
irmã 1: não, somos irmãs.
a vendedora tentou reformular a pergunta, mas, antes de terminar “vocês têm maridos?”, não segurou o riso e dirigiu-se à irmã 2.
vendedora: qual tamanho de biquíni você usa?
da cor do fogo
POR A RUIVA (MENSAGEM INBOX)
primeiro dia de faculdade. estou sentada sozinha. ele entra na sala. é alto, forte, bonito. sorri para mim e vem na minha direção. senta na carteira à minha frente, vira para trás puxando assunto. depois de alguns minutos de uma animada conversa, ele se aproxima, enrola meu cabelo no dedo dele e diz sussurrando:
– adorei a cor do teu cabelo... qual a numeração da tinta? tô pensando em mudar o visu!
quer jujubas?
POR LU CANDIDO
sou boa em transformar vidros vazios e embalagens em objetos de decoração. andava pela casa com uns vidrinhos de geleia cheios de jujubas coloridas pensando num lugar para eles.
– por que não põe ali?, sugeriu minha irmã que estava me visitando, apontando um nicho na cozinha.
– ali ninguém vai ver.
– ninguém vem aqui mesmo!
bem... este fim de semana teve jujubas no lugar da pipoca.
o destino é um demônio
POR MICHELE ROCHA
michele estava andando pelo centro de porto alegre distraída, pensando em seus projetos, planejando mentalmente os próximos passos, quando foi arrancada abruptamente dos seus pensamentos por uma cigana:
– moça! deixa eu ler a tua mão, o destin...
sem mexer o corpo, virou o pescoço e lançou um olhar de morte. a mulher olhou para a outra cigana apavorada:
– não é uma moça! é o demônio...
flerte errado
POR LU CANDIDO
estava tomando um café na minha padaria preferida. pelo vidro, vi um cara atravessando a rua em direção à porta. ele era bonito, e fiquei olhando meio despretensiosamente. só que ele olhou também, e rolou um contato visual. ele entrou. eu o segui com os olhos para ver onde ia sentar. ele foi até a parede, fez uma selfie no letreiro e foi embora. fim.
na clínica
POR LU CANDIDO
eu para a recepcionista da clínica psiquiátrica, depois da consulta, a sala de espera lotada:
– preciso pegar a carteirinha e marcar a próxima consulta.
– ué, mas eu devolvi a carteirinha...
– foi? vou só dar uma olhadinha na bolsa, tá?
– ok!
– (sorrindo sem graça) desculpe, está aqui. estou louca.
– tudo bem.
(cinco segundos eternos de silêncio constrangedor)
e todos rimos muito.
FIM
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