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segunda-feira, 28 de abril de 2025

POR WALTER M. :: 

“Como você se sente?”

Naquele momento, por mais que a revelação do diagnóstico para o Transtorno do Espectro Autista (TEA) não fosse exatamente inesperada, a pergunta da psicóloga foi seguida por um longo silêncio.

terça-feira, 29 de outubro de 2019


POR WALTER M. ::
Você acorda, passa o café, come algo, vê o celular e toma um banho. A bem da verdade, na maioria das vezes essa ordem pode ser inversa. Você acorda, vê o celular, passa o café... Ou até mesmo diria que você vê o celular antes mesmo de acordar, como é o meu caso.

Cumprido primeiro ritual matutino, você sai às pressas para dar conta das tarefas típicas de adultos. Boletos, responsabilidades e outras coisas tão entediantes quanto necessárias recheiam o dia. Cansado, tenta se alienar um pouco à noite antes do ciclo recomeçar. Sim, estamos falando sobre a rotina.

Gosto de rotinas. Preciso delas. Todo mundo deve precisar. O problema penso eu, é quando isso passa para o controle automático. Os dias passam, os meses passam, os anos passam. Projetos, pequenos sonhos nunca saídos da cabeça são triturados pela rotina. E o que parece restar é um enorme Vazio. Não o “vazio sublime” do Zen (título de um livro do Osho, mas isso fica para uma próxima conversa), mas uma completa falta de perspectiva e uma frustração avassaladora quando você percebe que vontades tão banais como aprender violão ou escrever mais por simples extravasamento (mesmo sabendo que ninguém vai ler) completam anos a fio.

E, por mais que me envergonhe disso, quando vejo alguns fios encanecidos na cabeça penso nos momentos derradeiros da minha vida, talvez velho, ou talvez nem tanto, e me aterrorizo com a simples ideia de olhar para trás e pensar “eu falhei” e me arrepender. Porque, em geral, as pessoas não temem a morte em si. Sofrem pela vida que tiveram. Isso é cientificamente comprovado em pesquisas com pacientes terminais.

Voltando ao vazio.

É como se estivesse preso neste limbo do cotidiano. E é um ambiente claustrofóbico. A questão que surge é: como superar isso? Ato contínuo surge outra: há algo a superar? Seria esse “vazio” parte integrante, estrutural, de mim? Algo a ser aceito, de forma passiva, resignada? Confesso não ter a resposta. Confesso ainda não saber se ela existe. E confesso que me cansei de me confessar.

Não se trata, por certo, de uma simples falta de tempo. Vemos todos os dias pessoas se desdobrando em mil nas poucas vinte e quatro horas que podemos usufruir no dia. Lembro-me das aulas de semiótica em que o professor exaltava as mil qualidades de Peirce, um filósofo, pedagogo, matemático, linguista, que simplesmente criou uma ciência da cachola em pleno século XIX. Certamente possuía ainda alguma outra habilidade não muito divulgada, como, talvez, equilibrar um ovo cozido numa colher com a boca. Mas, enfim, teve uma vida produtiva. A semiótica talvez não seja tão útil assim, mas com certeza conferiu um sentido à sua vida.

E penso que aqui esteja, talvez, o ponto central desse emaranhado confuso de divagações: esse Vazio crescente do cotidiano destrói paulatinamente qualquer noção de sentido aos dias, aos meses, aos anos, à vida, enfim.

Ainda que seu trabalho seja importante ou que você pelo menos pense que seja. Ainda que haja um propósito maior à sua vida que as meras ambições individuais, e você se veja completamente tomado por ele, e ainda que você considere isso nobre... A bolha do Vazio continua ali, suspensa bem no meio da sala tomando o seu ar e o seu espaço.

Por ora, pelas minhas possibilidades, vou tentar equilibrar um ovo cozido numa colher. Talvez encontre aí algum sentido. Ou, no pior das hipóteses, terei ao menos uma boa ingestão de proteínas e minerais.


Walter M. mora em São Paulo, é jornal(eiro)ista, não é tão jovem e ainda não chegou a ser velho. Atualmente se ocupa nas horas vagas na busca do manual de instruções da vida.



quinta-feira, 3 de outubro de 2019

POR QSPMSP :: 

O Queria ser Psicóloga mas sou Paciente completou um aninho de vida no dia 3 de outubro. Não foi consciente, mas este aniversário na sequência do Setembro Amarelo é bastante simbólico. Tem um quê de sobrevivência, de ressignificação.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

POR WALTER M. :: 
Do que eu mais me lembro dela são seus grandes olhos verdes. Contrastavam com sua pele morena e rosto delicado moldurado por cabelos cacheados castanhos claros. E, claro, aquele sorriso que alargava uma boca pequena de lábios delicados.

Chamava-se Fernanda.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

POR WALTER M. :: 
Vamos falar sobre o amor? Calma, não vamos invocar aquelas frases insuportavelmente reproduzidas nas redes sociais e desgraçadamente creditadas a Caio F. Abreu ou Clarice Lispector. Tampouco decretar de pronto que “o amor não existe”, talvez dito com certa frequência por aquele seu amigo que se recusa a largar uma vida de solteirice e tudo o que ela proporciona. Vamos começar por partes.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

POR WALTER M.::
Não sei quanto a você, mas esse período sempre me causou um profundo incômodo. E se tem algo que percebi nesses tempos é que a angústia é um moto-contínuo, o utópico motor perpétuo. Porque ele se alimenta dele mesmo. Você se incomoda com algo, e fica incomodado pelo incômodo que sente, e assim por diante.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

POR WALTER M.::
Um segurança com uma barra de ferro persegue o cãozinho acuado. Minutos depois, o cachorro está deitado, arrastando-se sob manchas de sangue, agonizando. Confesso que não consegui assistir às imagens por muito tempo. Acredito que muita gente não tenha conseguido também. A morte do cãozinho no Carrefour de Osasco causou uma enorme comoção, e não foi por menos. Foi algo sádico, monstruoso e torpe.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

POR WALTER M. :: 
Há alguns anos, pensei numa história que se tornaria um esboço para um conto. Uma mulher chegaria numa lanchonete para almoçar aproveitando os parcos minutos de intervalo conquistados em meio a sua vida atribulada de profissional bem sucedida e, subitamente, se depararia com uma garota na mesa ao lado. A adolescente, porém, seria perfeitamente igual ao que a mulher era aos 18 anos. Mais que isso, os cadernos e livros que trazia eram exatamente os seus antigos materiais naquela idade. Não teve dúvidas, inexplicavelmente encontrara ali a sua versão jovem.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

POR WALTER M.:: 
Quem é você?